Mostrar mensagens com a etiqueta Poesia. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Poesia. Mostrar todas as mensagens

terça-feira, 12 de maio de 2009

Loa ao Porto


Que impulso de dizer-te pátria, Porto:
O corpo amuralhado de granito,
cabelo d'água, à névoa, ao vento, exposto,
face esculpida em grito.

Braços de ferro, arqueados, desmedidos,
sobre o fluir dos barcos e do barro.
E um rumor antigo
na voz das tuas ruas e mercados.

Vestes de escuro e enfeitas-te de luzes
antes do Sol perder seu oiro pálido.
E das torres com sinos e com cruzes
acenas ao mar largo.

Bulícios de cafés (há mais de mil)
Entornam-te nas veias graça e fogo.
E o lírico torpor dos teus jardins
suspiros e repouso.

Que impulso de dizer-te pátria, Porto:
Coração não de Pedro, mas de pedra
com sangue fértil, vinho generoso
a gerar alma e terra.


António Manuel Couto Viana


Selecção de poemas de Dina Ferreira, Livraria Poetria
Foto Regina Meireles Guimarães

Olá Porto


Olá Ribeira
Rio Douro
Bom dia
Cidade velha
Tripeirinha
Meu grande amor
Olá cultura
Monumentos
Bom dia
Cidade nova
Donairosa
Jardins em flor

Porto das mil relíquias
E dos encantos mil
Berço d’um povo eleito
Anfitrião gentil

Porto cidade invicta
Mui nobre e sempre leal
Porto cidade eterna
Património mundial.

Gaspar Castelo Branco

Rua de Belmonte, Porto

sexta-feira, 8 de maio de 2009

Uma cidade


Uma cidade pode ser
apenas um rio, uma torre, uma rua
com varandas de sal e gerânios
de espuma. Pode
ser um cacho
de uvas numa garrafa, uma bandeira
azul e branca, um cavalo
de crinas de algodão, esporas
de água e flancos
de granito.
Uma cidade
pode ser o nome
dum país, dum cais, um porto, um barco
de andorinhas e gaivotas
ancoradas
na areia. E pode
ser
um arco-íris à janela, um manjerico
de sol, um beijo
de magnólias
ao crepúsculo, um balão
aceso
numa noite
de Junho
Uma cidade pode ser
um coração,
um punho.


Albano Martins

Selecção de Poemas de Dina Ferreira, Livraria Poetria